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Este projecto tem por objectivo divulgar todos os factos possiveis de compilar sobre a conquista espacial, em português, e numa prespectiva portuguesa. Todos os comentários e/ou sugestões são bem vindos.
Artigo de opinião, a propósito do lançamento do primeiro astronauta chinês. E aí estão as consequências... Na sequência das notícias veiculadas pela comunicação
social acerca da colocação em orbita terrestre do primeiro cidadão da
República Popular da China, o astronauta Yang Liwei
Vão longe os tempos heróicos dos anos 60, em que a guerra fria criava heróis colocando em cima de potentes foguetes alguns eleitos, que após voos de duração mais ou menos curta, no início, mais longos com o avançar do tempo, regressavam à terra com aura de heróis. Esta corrida em que os dois principais concorrentes se degladiavam, mais do que uma demonstração de progresso científico, era uma declaração inequívoca de poderio militar. Toda a mensagem subjacente demonstrava que o país que podia colocar homens em orbita terrestre, ou mesmo envia-los à Lua, podia desenvolver mísseis balísticos intercontinentais e armas de destruição em massa capazes de aniquilar o inimigo. Não o fizeram, e a deslocação da “arena” do conflito para o espaço teve como consequência um avanço espantoso da astronáutica (lembro que em 1961 A União Soviética colocava o primeiro astronauta em orbita, Yuri Gagarine. Em 1969, apenas 8 anos depois, os Estados Unidos da América colocavam o primeiro Homem na superfície Lunar, Neil Armstrong .... um feito absolutamente espantoso!!!
Este rápido avanço acabou por criar progresso científico, embora a ciência nunca estivesse no topo das prioridades. Alguém concebe hoje um mundo sem satélites?! Mas o esforço inflacionado do início da era do espaço, que não olhava a meios, sobretudo financeiros, para atingir os objectivos e a espetacularidade pretendidos tiveram o efeito preverso do posterior desinteresse e até antipatia pela conquista espacial. A pergunta era sempre a mesma, e ainda se mantém: Valerá a pena o esforço, tendo em conta os resultados obtidos? A discussão está longe de terminar. Nos E.U.A. discute-se abertamente o fim dos voos tripulados. A Rússia, herdeira da quase totalidade do programa espacial Soviético debate-se com terriveis problemas orçamentais, ó mantendo activo o programa espacial porque sairia mais caro, sobretudo em termos sociais, desmantelar toda a máquina construida. Como consequência da evolução da astronáutica desde o sue início, temos agora aquilo a que eu me atrevo a chamar a geração traída. No ano em que nasci, a primeira tripulação a orbitar a Lua, dentro da capsula Apolo 8. Em 1972 aconteceu a última missão tripulada à Lua. Por ironia, o primeiro e único cientista a pisar a Lua, (um geólogo), foi também o último a fazelo! Depois disto ninguem mais voltou ao nosso satélite natural. Como Diz Neil Armstrong, a ida à Lua deixou de ser referida nas aulas de ciência, e passou a ser referida apenas nas aulas de História. O argumento é sempre o mesmo : Demasiado caro, o retorno é praticamente inexistente (sobretudo se andarmos à procura de um lucro fácil e imediato), é mais fácil e menos perigoso se a pesquisa for feita apenas por veículos não tripulados.... Sem negar a validade destes e de outros argumentos, questiono muitas vezes se as pessoas que os esgrimem conhecem a natureza humana. A melhor razão que eu conheço para lá ir é a simples caraterística humana que desde sempre nos impeliu para a frente : A indomável vontade de ir sempre mais além. Acreditar que é melhor ficar calmante nos laboratórios, e esperar que os robots façam tudo é desconhecer a natureza humana. Alguém acredita que uma fotografia (ou um cento) enviada da superficie poeirenta de Marte por uma qualquer Mars Pathfinder pode substituir a observação directa In Loco por um homem ou mulher? Olho desolado para as previsões feitas na década de 60, em que os rápidos progressos de então faziam antever a chegada do Homem a Marte e talvez mesmo ao sistema Joviano logo ao virar do Século... Quem não viu o filme 2001, Odisseia no Espaço? È certo que já vamos tendo uma estação espacial a orbitar a terra, mas que contraste entre a elegante roda de Arthur C. Clarke e Kubrik, e o monte de “latas” desajeitado que entretanto e com grande esforço vamos criando lá em cima.... Como é claro para mim agora que se tivessemos ido mais devagar no início, e com mais intelegência talvez, poderiamos agora colher frutos mais sólidos desse esforço. Senão vejamos: Quando em 61 os E.U.A. colocam o seu primeiro astronauta no espaço, Alen Shepard, num voo sub orbital (o foguete Redsone não tinha impulso suficiente para colocar a capsula Mercury em orbita, para isso foi necessário esperar pelo mais potente Atlas), foi apenas para responder ao voo pioneiro de Yuri Gagarine. Os E.U.A. não quiseram esperar pelo seu programa de veículos reutilizáveis... O X15, verdadeiro protótipo do avião espacial, veiculo que atingiria o espaço e regressaria completo à terra completo, como qualquer, avião foi simplesmente abandonado. Deu-se primazia às “acrobacias de circo” feitas com Foguetes que nada mais eram do que mísseis balísticos adapatados (o Redstone, usado para lançar as primeiras capsulas americanas Mercury derivava directamente das célebres V2 Alemãs. Também os foguetes Atlas, que deram continuidade ao programa Mercury, com a variante de que já conseguiam colocar a capsula em orbita, ou os Titãs, que posteriromente deram sequência ao programa espacial americano com o projecto Gemini eram mísseis. Só o projecto de ida à Lua Apolo e o posterior Space Shutle foram concebidos de raiz para a função a que se destinavam. O efeito produziu efeitos muito mais rápidos, e permitiu à América acompanhar de perto, e por fim ultrapassa a rival União Soviética. Mas construir um Rols Royce para cada viagem, com a agravante de que só efectua uma única viagem, e quando regressa já só traz o “assento e o volante” não é de todo a opção mais rentável, obretudo na era da ditadura da economia. O projecto do Space Shutle foi um esforço real de abandonar esta política, mas a máquina é tão frágil, e necessita de tanta gente para efectuar a manutenção que o dinheiro que se poupa na reutilibilidade do veículo se dilui totalmente, de tal forma que sairia mais rentável ter continuado com os veículos convencionais... Para complicar mais as coisas, a frota está envelhecida e os desastres vão acontecendo, com o preço elevadissímo que todos conhecemos.... Entretanto, sem grande espannto da minha parte, a China vai desenvolvendo o seu programa Espacial baseado no lançador Longa Marcha, e consegue a proeza de se tornar a 3ª potência mundial a entrar no restricto clube dos países que conseguem colocar os seus homens em orbita terrestre. Mas não nos iludamos. Se é um facto inegável de competência técnica o feito chinês, que não pode e não vai deixar indiferentes as outras potências espacias (que andarão agora a pensar os detractores dos programas tripulados, especialente nos E.U.A.)? Convirá não esquecer que é apenas a repetição do que já foi feito pelas anteriores potências espaciais nos idos 60! Em termos de evolução técnica não existe nada de assinalável. E a Europa? Enquanto Português e Europeu( o nosso país já é membro de pleno direito da Agência Espacial Europeia) a desolação é completa. Não que a Europa não tenha nada a dizer no campo espacial. Pelo contrário. Assumindo um saudável pragmatismo, desenvolveu o seu programa espacial com base na família de lançadores Ariane (Que já vai na versão 5, um potente foguete capaz de por até 30 toneladas em orbita baixa, o mesmo que o Space Shutle ou que o Protão Russo). Este pragmatismo deu à Europa os confortáveis 50% do apetecível mercado de lançamento de satélites comerciais!! A “reboque” lá foi desenvolvendo a sua investigação neste domínio, com eixitos assinaláveis como a sonda Giotto que sobrevoou o cometa de Haley, ou os satélites de observação e estudo do Sol Cluster, ou o satélite de cartografia estelar Hiparcos, entre tantos outros. Neste momento uma pequena sonda de nome SMART vai a caminho da lua, aproveitando a “boleia” no Ariane 5, que lançou mais 2 satélites, (de várias toneladas cada um deles), e lá arranjou ou espacinho para os 300kg da Smart... Sem desmerecimento do muito mérito da equipa que desenvolveu esta sonda, parece que a Europa já consegue lançar “laranjas” para a Lua.... Ainda que 300 Kg de tecnologia do século XXI possam fazer muito mais do que a mesma massa em tecnologia dos anos 60! Mas não nos iludamos. O Ariane é antes de mais uma máquina de fazer dinheiro. A reboque, a ciência lá vai conseguindo fazer alguma investigação...
Alguém se lembra ainda da dimensão das Apolo?! Entretanto, e assumindo uma oposição frontal aos programas tripulados, a Europa desenvolve toda a sua estratégia de programas tripulados com base em parecerias com a América e a Rússia. O projecto Europeu de um pequeno Space Shutle de nome Hermes nunca saiu do projecto. Uma feroz oposição quer política, quer de alguma comunidade cientifica impediu a Europa de ter um acesso ao espaço pelos seus próprios meios. Como resultado temos que para lançar os seus astronautas, a Europa tem que recorrer à frota de naves Americanas, que estão paradas em terra após o desastre o Columbia, ou tem que recorrer as velhinhas e fiáveis Soyuz Russas.
Agora vem a China por a máquina em movimento de novo. Parece-me dificil que as outras potências espaciais se possam dar ao luxo de abandonar os seus programas tripulados depois deste lançamento chinês. Alem de desonroso, seria simplesmente perigoso. Um homem no espaço pode atingir qualquer ponto do globo terrestre em apenas alguns minutos... Fica a curiosidade de saber qual o posicionamento da Europa depois deste novo dado. Para dar ainda mais ênfase à questão, há agora a possibilidade de que a India venha também a desenvolver o seu programa tripulado. Não me parece que a Europa se possa dar ao luxo de ficar a ver os foguetes dos outros... Talvez que depois de todo o desalento dos últimos anos um facto quase sem importância como o do primeiro astronauta chinês volte a acender a luz ao fundo do túnel. Talvez que eu ainda viva o suficiente para ver os primeiros humanos a caminhar sobre a superfície marciana.... talvez, a menos que uma nova alteração política venha a baralhar de novo os dados e que se descubra que afinal o gigante tinha pés de barro.... Veremos o que os próximos anos tém para nos mostrar. Sérgio Caldeira, 23/10/2003
Créditos: Enciclopedia Astronautica |